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25-Julho-2008


1ª Edição - Agências preparam associação nacional para defender setor

Gazeta Mercantil - Caderno C - Internet

Porto Alegre e São Paulo, 25 de Julho de 2008 - As agências de marketing digital vivem um momento peculiar. Embora participantes de um segmento relativamente novo - a internet comercial tem pouco mais de dez anos -, percebem que o rápido desenvolvimento desse mercado gerou a necessidade de se organizarem em uma entidade nacional, que terá grandes missões pela frente, como contribuir para a formação de novos profissionais de internet, elaboração de indicadores do setor, padronização de formatos de mídia, parâmetros da relação entre agência e cliente e remuneração, entre outros tópicos.
É para discutir questões como essas que as oito associações estaduais que congregam agências digitais se encontram hoje em São Paulo. Elas vão debater, por exemplo, qual o melhor momento para a criação de uma entidade nacional para representar o setor.
O presidente da Associação Gaúcha de Agências Digitais (Agadi), Cesar Paz, é um dos que empresários que participam ativamente desse processo.
Segundo ele, as empresas de internet não se sentem representadas pelas entidades da publicidade e de tecnologia da informação. Por isso decidiram criar uma congregação própria para serem mais fortes na discussão de aspectos da legislação como regulamentação do spam, publicidade na rede, campanha eleitoral e compra de mídia. "Um dos principais objetivos é fazer a entidade representar o setor no enfrentamento dessas questões. A legislação para internet está totalmente aberta", observa Paz, que este ano voltou a presidir a Agadi ( Associação Gaúcha das Agências Digitais). Criada em 2004, ela é uma das pioneiras no País ao reunir empresas que têm como vocação o desenvolvimento de projetos de comunicação no ambiente digital.

Paulistas
O presidente da Associação Paulista das Agências Digitais (Apadi), Antony Martins, está em sintonia com Paz. Para ele, a criação de uma associação nacional tem papel importante na defesa dos interesses das agências que surgem num mercado novo no Brasil. "É preciso mostrar o que faz uma agência digital, quais os benefícios de contratar uma empresa como essa ou incluí-la em sua estratégia de marketing", comenta Martins.
Um outro atributo da associação seria se manter como fonte de referência e informações para o mercado. "O objetivo é reunir os números do setor e mantê-los sempre atualizados e servir como fonte para governo, imprensa e mesmo as empresas", diz Martins. Além disso, segundo o executivo, um dos objetivos da associação nacional seria a padronização de formatos de mídia, salários e até mesmo nome dos cargos e funções. "É preciso que as agências digitais comecem a falar a mesma língua. Isso estimulará o conhecimento do nosso trabalho por parte dos clientes", comenta Martins.

Deliberações
No encontro de hoje em São Paulo, será discutido por exemplo se a Abradi será criada ainda no segundo semestre ou é melhor esperar o amadurecimento de associações regionais mais jovens de um setor ainda em formação. Além do Rio Grande do Sul, existem entidades estaduais em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia, que reúnem cerca de 200 agências. Uma das primeiras iniciativas da Abradi deve ser uma pesquisa para levantar o perfil e os grandes números das empresas de internet no Brasil. A estimativa é que existam mais de 500 agências digitais em todo o Brasil. No Estado de São Paulo são cerca de 150.
Na pauta da reunião desta sexta-feira também constam temas como o formato de trabalho da associação nacional, a composição da diretoria e da presidência, o estatuto e a relação entre as associações regionais e a nacional. "O objetivo é sair da reunião com a associação constituída ou bem encaminhada", comenta Martins.
Outra questão a ser atacada, revela Paz, é o problema da falta de mão-de-obra qualificada para o setor. Ele entende que ainda existem poucos cursos de formação no País e, hoje, grande parte da demanda é suprida por pessoal oriundo das áreas de publicidade e comunicação, ou autodidatas. A idéia é buscar uma aproximação com a academia. Ele cita o caso do Rio Grande do Sul, onde apenas a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) tem curso de Comunicação Digital para a área de internet. "Mas eles formam apenas 20 alunos por ano, enquanto a demanda é dezenas de vezes maior", diz ele, lembrando a escassez da oferta de recursos humanos em um setor que cresce pelo menos 30% ao ano no País.

Treinamento
A falta de mão-de-obra capacidade, segundo ele, eleva custos para as empresas, com treinamento e retrabalhos. Paz conhece bem essa realidade.
Presidente da AG2, ele tentar resolver esse problema fazendo parcerias com três universidades de Pelotas (RS). O objetivo é levar sua metodologia de trabalho à academia e assim facilitar o recrutamento de pessoal.
Já a Apadi realiza uma série de palestras em universidades. "Nosso objetivo é mostrar para os alunos as diferentes funções que existem numa agência digital e que esse mercado tem um potencial de crescimento muito grande", afirma Martins.
Em relação às empresas, Paz entende que, apesar de as corporações já terem migrado seu banco de dados para a rede, a internet vive uma revolução constante. Tudo o que existe é reinventado e virá uma nova fase multimídia e de interatividade. Um exemplo, segundo ele, é o tradicional currículo.
Ao invés de um simples papel ou e-mail, ele irá se transformar em uma verdadeira apresentação do candidato a emprego com direito ao uso de vídeo, áudio e infográficos.
Esse novo mundo da internet será debatido no 4º Fórum de Internet Corporativa, que a Agadi realiza dia 8 de outubro em Porto Alegre. A grande estrela do evento será o norte-americano Chris Anderson, editor da cultuada revista Wired. Anderson é autor do livro "A Longa Cauda".
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)
(Caio Cigana e Sheila Horvath)


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