Mais um jornalista é assassinado no México
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René Salgado cobriu por mais de 20 anos notícias de cunho policial; já são 5 jornalistas mortos
CIDADE DO MÉXICO – A violência no México cobrou a vida de mais um jornalista, o quinto em apenas 15 dias. O corpo de René Orta Salgado foi encontrado no domingo em um veículo deixado no estado de Morelos, no México, informou nesta segunda-feira o diário espanhol “El País”. Os jornalistas são mais uma vítima da ação dos cartéis de tráfico de drogas, que deixou mais de cem mortos só este mês no país.
Orta Salgado havia deixado a profissão em dezembro de 2011 para liderar um grupo político chamado “Empreendedores pela Nação”, de apoio ao candidato à Presidência pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), Enrique Peña Nieto. Ele cobriu por mais de 20 anos notícias policiais, mas recentemente não havia recebido ameaças de morte, segundo as autoridades.
O corpo do jornalista foi achado na parte traseira de seu carro, com o rosto coberto por um lenço preso por uma fita de uso industrial, após mais de 24 horas do registro de seu desaparecimento. Salgado foi visto pela última vez em um restaurante em Cuernavaca, na madrugada de sábado. A procuradoria-geral de Justiça do estado de Morelos, que investiga as causas da morte, afirmou que o corpo não apresentava ferimentos de tiros.
Jornal desiste de publicar notícias relacionadas à guerra de gangues
Os assassinatos, somados aos constantes ataques violentos contra sedes de meios de comunicação, ameaçam a liberdade de imprensa no México. Veículos começaram a optar pela renúncia à divulgação da informação devido a situação de completa insegurança. No domingo, o diário “El Mañana” de Nuevo Laredo, cidade no estado de Tamaulipas, norte do México, divulgou um editorial pedindo “compreensão pública” e anunciando que não iria publicar, pelo tempo que for necessário, “qualquer informação relacionada às disputas violentas na cidade e em outras regiões do país”.
“O Conselho Editorial e a Administração desta empresa chegaram a esta lamentável decisão, obrigados pelas circunstâncias que todos conhecemos e pela falta de condições para o livre exercício do jornalismo. O tema será abordado somente pela opinião de profissionais e analistas que estudam o fenômeno e o tratam de maneira inteligente e responsável”, disse o “El Mañana”.
Na sexta-feira, a sede do jornal foi atacada por atiradores durante cinco minutos. Segundo o veículo, houve registro de feridos a não ser a liberdade de imprensa. Nuevo Laredo, cidade que faz fronteira com os EUA, também foi o palco a chacina de 23 pessoas no último dia 4 de maio. Aparentemente, os assassinatos foram um acerto de contas entre os cartéis Sinaloa e Zetas, que disputam o domínio da região.
Mais 49 vítimas no domingo
Corpos mutilados de 49 pessoas foram enocntrados neste domingo por autoridades mexicanas da cidade de Monterrey. Os restos mortais foram enterrados próximos a uma estrada que seguia para o estado de Texas, no EUA. Todas as vítimas foram decapitadas e tiveram as mãos e pés cortados, dificultando o trabalho de identificação dos legistas.
Autoridades suspeitam que a chacina seja mais uma parte da onda de violência entre gangues de tráfico de drogas mexicanas. No local, os criminosos picharam um muro com “100% Z”, numa referência ao grupo Los Zetas.
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