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Terça, 12 Agosto 2014 00:00

Sonhando em ondas curtas

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Gazeta do Povo - Curitiba
Colunistas - Rádio

Rodrigo Wolff Apolloni
Publicado em 12/08/2014 | Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Um dos grandes baratos de minha infância, um daqueles vividos há milênios e preservados na memória com uma boa dose de fantasia, era a escuta de rádio. Não a das rádios locais, que ouvia, por exemplo, pela manhã em casa, mas a das internacionais, captadas nas ondas curtas de antigos aparelhos.



Era um verdadeiro deslumbramento, coisa de ficção científica, sentar ao lado de um desses rádios ao cair da tarde e girar o botão até garimpar os fiapos de algum discurso do “outro lado”, quase inaudível de tão precioso, precioso de tão cifrado. Verdadeiro “radiotelescópio”, projeto Seti em escala terrestre.

Os programas menos inteligíveis, aliás, eram os que chamavam mesmo a atenção. Quanto mais rasgados, agudos e guturais, melhor; quanto mais riscados de estática, mais raros, mais arcanos. Alguns, aliás, vinham acompanhados de música igualmente estranha. Para o faiscador radiofônico, todas eram o canto gutural mongol e a orquestra de janízaros atacando, juntos, de um estúdio distante.

Hoje, os aparelhos de rádio estão sendo engolidos por outras tecnologias. E rádios de todo o mundo, mesmo dos lugares mais afastados (exemplos: Pyongyang FM Pangsong, da Coreia do Norte, e Radio Vaovao Mahasoa, de Madagascar), podem ser ouvidas em alto e bom som a partir de qualquer computador conectado à internet.

Se, por um lado, a coisa dispensa o grande barato do manuseio micrométrico do botão do dial e da atenção total aos sons captados, por outro desvela um campo extraordinário de possibilidades de pesquisa e conhecimento. Uma plataforma como o Tunein (tunein.com), por exemplo, oferece gratuitamente as transmissões de 100 mil estações de rádio de todo o mundo. 100 mil! Do Azerbaijão, Chopinzinho, Fukuoka ou Tiblisi.

Com um pouco de imaginação e boa vontade, portanto, é possível reeditar os fins de tarde de busca a programas estrangeiros – ligar o computador, apagar a luz, pegar uma caneca de Nescau e olhar para o céu.

Com um pouco de criatividade, aliás, seria possível até mesmo criar um aplicativo para smartphone que, a partir de pesquisas aleatórias no Tunein ou outras plataformas, simulasse a busca por estações de outros mundos. Tão inútil quanto mágico, enfim. Extraordinário a ponto, inclusive, de me levar a estudar informática. Interessados em participar do projeto, entrem em contato!

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